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■ Urbanismo de Coesão | Parque Dias Velho – Fpolis SC

Posted on nov 16, 2003 by in 04 |█ MONUMENTO/PRAÇA

■ Urbanismo de Coesão | Parque Metropolitano Francisco Dias Velho Baia Sul
■ UFSC [Universidade Federal de Santa Catarina]  V Bienal Internacional de Arquitetura e Design de São Paulo.
■ Equipe | Eduardo Faust, Ricardo Silva, Fernando Koerich, Vinicus Linczuk, Marcio Barttilot, Daniella Reche, Maicon Antoniolli. Professor orientador César Floriano.
■ Localização | Florianópolis, Santa Catarina, Brasil

Em 2003 foi exposto na V Bienal Internacional de Arquitetura e Design de São Paulo [5BIA]  o trabalho intitulado Urbanismo de Coesão, representando a UFSC [Universidade Federal de Santa Catarina].

O trabalho lança uma proposta para o aterro da baia sul na cidade de Florianópolis, unindo com uma passarela jardim o mar ao centro histórico [praça XV, Catedral, etc].

VBIA partido

Imagem exposição VBIA 2003

A equipe de alunos na época foi composta pelos hoje: Arq Eduardo Faust, Arq Prof. Ricardo Silva, Arq Fernando Koerich, Arq Prof. Vinicus Linczuk, Arq Marcio Barttilot, Arq Prof Daniella Reche, Arq Maicon Antoniolli e teve como professor orientador o Prof Dr César Floriano.

Atualmente [2014] Arq César Floriano retomou o partido e lidera uma equipe que preparou um novo projeto que caminha para a execução junto a Prefeitura Municipal de Florianópolis. Veja este novo projeto: revista AU

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Arq César Floriano e o Secretário Arq Dalmo Vieira [2013]

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Capa do catálogo da VBIA 2003

Projeto Urbanismo de Coesão Exposto na 5BIA em 2003

VBIA aterro

Imagem exposição VBIA 2003

  VBIA evolucao

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA proposta

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA passarela 4

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA passarela

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA passarela 2

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA passarela 3

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA maritimo

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA maritimo2

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA eventos

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA shows2

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA tancredo neves

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA tancredo neves2

Imagem exposição VBIA 2003

  VBIA paço

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA direto do campo

Imagem exposição VBIA 2003

VBIA projeto stand

Projeto do estande para exposição VBIA 2003

     VBIA selos 1 VBIA selos 2 VBIA selos 3

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Estande da exposição na VBIA 2003

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Estande da exposição na VBIA 2003

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Estande da exposição na VBIA 2003

CONCEITO DA PROPOSTA

A Ilha de Santa Catarina, situada no Atlântico sul do Brasil, apresenta uma área de 423 km², 18 km de largura e 54 km de comprimento acompanhando a costa continental. Estruturada por dois maciços montanhosos e planícies costeiras, a ilha está dividida em orla oceânica e continental. Um rico ecossistema  composto por montanhas, dunas,  mangues, diversas praias de mar aberto, pequenas enseadas e baías de águas calmas.  Separada da parte continental por um canal com  distância média de  800m, a ilha abriga a capital do Estado de Santa Catarina – a cidade de Florianópolis – com uma população de 330.000 habitantes.

Fundado no século XVII com o nome de Nossa Senhora do Desterro, o vilarejo  transformou-se em capital da província de Santa Catarina  sendo, em 1823, elevado à categoria de cidade.  Localizada na Baía Sul, o tecido urbano desenvolveu-se a partir da  praça central e da zona portuária, formando um eixo articulador das funções religiosa, política e econômica. A Praça junto ao porto marcava a porta de entrada e a vida cotidiana dos habitantes que tinham sua identidade de ilhéus reforçada pelo convívio diário com o mar.

Durante o período da Revolução Federalista a cidade de  Desterro apresentou-se como centro de oposição aos ideais republicanos, uma resistência dissolvida a partir de uma forte ação militar do Marechal Floriano Peixoto. Violenta intervenção que culmina com a celebração da vitória republicana em 1894, mudando o nome da cidade de Desterro para Florianópolis.

A cidade  passou, em inícios do século XX, por grandes  transformações urbanas operadas pela ideologia do urbanismo sanitarista. Redes de água, energia elétrica, aberturas de canais de drenagem e avenidas formaram uma complexa cirurgia urbana, modernizando a cidade sem, no entanto, modificar seu perfil colonial. Como porto de parada obrigatória no atlântico sul, a atividade portuária continuava a ser a base protagonista da economia determinando o crescimento urbano e estruturando a orla marítima como marco paisagístico.

Em 1926, foi construída a primeira ponte de ligação com a parte continental (Ponte Hercílio Luz), permitindo a entrada de veículos diretamente do continente e provocando a primeira ruptura da condição insular. Todo o abastecimento e acesso à ilha, realizado até então por um complexo sistema de navegação fluvial, será de forma gradativa substituído pelo transporte rodoviário prenunciando o fim da atividade portuária. Em meados do século XX,  com a modernização do transporte marítimo, o porto de Florianópolis perde seu lugar protagonista no estado de Santa Catarina, entrando em total estagnação. Em conseqüência, uma crise econômica provoca desaceleração no crescimento urbano, contribuindo para preservar o patrimônio arquitetónico colonial e  manter intacto o perfil de cidade marítima.

O  caráter colonial da cidade foi praticamente mantido até início dos anos 70, quando uma retomada do crescimento econômico pela atividade turística leva a ações desastrosas no perfil histórico e cultural da cidade.

A RUPTURA COM O MAR

Para dar resposta ao novo crescimento urbano, equivocadas operações urbanísticas foram realizadas, sendo a construção do Aterro da Baía Sul a intervenção mais radical, pois além de acabar com o perfil histórico da cidade, distanciou a população da orla marítima. O caráter de cidade portuária foi desfigurado e a  Praça Central perdeu definitivamente sua condição de “Porta de Entrada”. No lugar do porto um aterro de 10 hectares passa a configurar  o novo perfil da cidade. O Aterro da Baía Sul, criado única e exclusivamente para dar vazão ao fluxo de veículos, passa a ser uma área de interesse especulativo. Uma intervenção urbanística baseada no mais estreito funcionalismo, onde o tecido urbano historicamente constituído é entendido como um marco zero.

A PRESENÇA DE ROBERTO BURLE MARX

A ocupação do imenso aterro passou a ser um ponto polêmico na cidade. Por se tratar de uma área pública não poderia atender aos interesses da especulação imobiliária. À revelia da equipe de urbanistas responsável pelo plano diretor do município, o governo do estado chamou o paisagista Roberto Burle Marx para desenhar um parque público tomando como modelo o Parque do Flamengo na cidade de Rio de Janeiro.

Burle Marx completava, neste período, os jardins da Universidade Federal de Santa Catarina e iniciava em parceria com o arquiteto Hans Broos uma série de projetos para a Indústria Textil Hering na cidade de Blumenau.

A atitude do governo em convidar o paisagista para criar no local o Parque Metropolitano Francisco Dias Velho provoca uma crise na equipe de planejamento. Desta forma, desde a inauguração em 1979, o parque tem sua morte anunciada. A falta de um trabalho urbanístico de apoio, um programa funcional claramente definido e a má vontade política, levaram à atual descaracterização do importante trabalho de Burle Marx. O projeto desenvolvido dentro dos princípios estéticos da Abstração Lírica, contempla uma grande praça central marcando claramente a vocação do paisagista para a criação de espaços públicos conectados com o conceito de Arte Pública.

A DESTRUIÇÃO DO LEGADO DE ROBERTO BURLE MARX

O parque não foi implantado em sua totalidade. Das três passarelas desenhadas para conectar o centro histórico com a orla marítima, somente uma foi construída. A falta de um contato mais dinâmico com as águas da baía, provocou uma reação negativa da população e o parque se tornou um grande vazio urbano.  A falta de manutenção na iluminação, nos chafarizes, nos pisos, no banheiro público e na cobertura vegetal, fizeram a população rejeitar ainda mais a área e o processo de marginalização foi inevitável.

Primeiro vieram os carros com estacionamentos improvisados por cima de gramas e pisos de pedra portuguesa, depois as dezenas de ônibus ocupando setores do parque para os terminais urbanos e pátio de estacionamento. Com total desrespeito ao trabalho do paisagista, setores do parque foram dando lugar a arquiteturas efêmeras como o “Camelódromo”, o pavilhão da feira de horti-fruti “Direto do Campo” e o recentemente inaugurado terminal urbano.  As sucessivas ocupações provisórias foram dando lugar a arquiteturas mais definitivas e de péssima qualidade, como  o  Sambódromo e  Centro de Convenções. Foram surgindo todo tipo de monstruosidades arquitetónicas e estruturas completamente inadequadas para a área, como é o caso da estação de tratamento de esgoto.

É  TRISTE VER TAMANHA CEGUEIRA.

É TRISTE VER O LEGADO DE BURLE MARX DESTRUÍDO.

Desde o princípio, trabalhamos com a perspectiva de resgate deste legado, um patrimônio que era de todos os brasileiros. Nossa intenção  desde o início era a de conectar a população com a orla, buscando uma ativação do parque para a vida cotidiana da cidade.

Infelizmente, pelo estado de total descaracterização, o legado de Roberto Burle Marx não poderia ser restaurado. Toda sua estrutura foi danificada, tornando-se impraticável qualquer ato de recuperação, mesmo que parcial. Intervir sobre os fragmentos do projeto seria confundir a autoria da obra. Optamos por não resgatar nenhuma imagem alegórica do que permaneceu do trabalho original. Respeitamos sim a vegetação que ainda permanece no local, como os eixos das palmeiras imperiais, as pitangueiras, acácias, etc…

Além da descaracterização da essência do desenho de Burle Marx, assistimos ao total abandono da orla marítima. Esta que deveria ser um lugar de contemplação da paisagem e vivência da condição de insularidade, ficou completamente marginalizada, se transformando em um lugar cercas, entulhos de obras e lixo.

Diante desta total desfiguração, a polêmica sobre o futuro da área se atualiza, e setores especulativos reivindicam esta para o mercado. Entendemos que o local é e deve ser tratado com um espaço público, portal de entrada da ilha e lugar de articulação da vida cotidiana da cidade, e como tal deve ser desenhada. Propomos um urbanismo de COESÃO, que costure e articule os diversos fragmentos presente neste tecido urbano e que recupere o convívio com o mar.

 

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